12.04.2005
#16 - As Aventuras de Super Grunge e Menino Paleolítico
Queria ver se algum deles tinha colhões pra vir de dois em dois. Queria muito. Mas mais do que isso, eu não queria apanhar (hoho), e nem que eu estivesse mega sóbrio e em ótima forma ia me dar bem com com 23 duplas seguidas euaheauheuehaue O que me deixou maaaais feliz foi saber que, com certeza, quando nós fomos embora, a frase que mais foi usada na conversa dos playboyssons deve ter sido: "se eu quizesse..blabla.. batia neles" ou algo do tipo "só não cheguei perto poruqe eles tem aids." Mas no fundo ( e dou MUITA ênfase nesse "NO FUNDO") eles tem total noção de que foram humilhados e desmoralizados em frente a cada amigo deles, e que nem sequer encostaram um dedo no dito viado de cabelo colorido.
Fazia muito tempo desde que a minha moral não ficava tão alta como ontem.
*Pra quem não mora no rio de janeiro, um esclarecimento, antes do post: na capital carioca, pessoas coloridinhas e preconceituosas ignorantemente chamam qualquer um que não se vista de surfista de grunge. isso mesmo: grunge. E eles fazem questão de mostrar que são ignorantes toda vez que passam pela gente na rua, shopping, cinema, etc. (a palavra viado ou lésbica são complementos). Também vale lembrar que eles dificilmente se metem com "grunges" quando eles não estão (no mínimo) proporcionalmente em 6 pra um em relação a nós.*
Ontem o dia foi bom. Um sábado normal, fora uns desintendimentos. E um deles merece destaque.
Eu e o Almir estávamos andando pela passarela subterrânea em frente ao NY, quando nos deparamos com o que eu pensei ser uma enchurrada de pecinhas de lego, mas na verdade eram "o povo colorido marrento", vindo no sentido oposto ao nosso. Todos eles com o famoso olhar "eu paguei 400 contos numa bermuda pra ficar brega e sacanear o povo do roque" no encarando e rindo cada vez mais. A tensão aumentava a cada metro. Eu falei pro Almir -a.k.a. Menino Paleolítico, não parar pra encostar e deixar os mongoloides passarem. Já tava de saco cheio de ter que ficar desviando de gente mal educada.
E num gesto improvável, eles abrem um buraco no meio do arrastão (uehaueha) e a gente passa numa boa, só recebendo caras de nojo e risadinhas (o que é de praxe)
Mas eis que surge a frase que despertou a besta interior (uheauheuaheauhaeu) desse narrador: [voz de pato] grunge viado [/voz de pato]
Eu (puto da vida) fui falar com o otário. "o que você falou, hein, seu merda?". Enquanto os playboyssons foram parando e ficando chocados com a atitude do grunge viado (e do almir ^__^_\/,,) eu comecei a xingar o fulano de tudo que eu me lembrei que era feio e sujo. Taquei o cigarro e quase cuspi nele, mas ele não parava o.O
Então (mais puto ainda) eu corri pra frente do cara e fui tirar satisfação. Ele, muito corajoso, negou tudo, mas como eu tava com fogo no rabo (e adimito isso) tava obrigando ele e falar qualquer coisa na minha cara, ou apenas olhar pra mim nos olhos (se ele respirasse muito forte eu também iria levar isso como uma ofensa). E eis que surge o pseudo salvador da história, um amigo grandinho dos caras que chega pra mim e fala, achando que a discusão terminaria ali: "ah cara, sem briga, então fui eu que te xinguei. acabou, acabou, vamos todos embora"
"AH, ENTÃO FOI VOCÊ É FILHO DA PUTA!?"*
(xingar a mamãe ou o papai do povo colorido é o mesmo que chamar pra porrada)
e depois de um momento de silêncio, num gesto estranho e característico do povo colorido, os amigos dele começaram a uivar, a fim de humilhar o próprio parceiro. Ele tinha que tirar satisfações comigo, ou sua "honra" seria manchada pra sempre, e ele nunca mais iria estrondar ou droppar cocotas na barra da tijuca por toda a vida dele. E foi o que ele fez..
Bravamente se aproxima de mim, com uma expressão maligna capaz de fazer mc lanche feliz chorar, e com uma voz de vilão de 'Malhação' me pergunta: o que você falou?...
"FI-LHO DA PU-TA" *aponta o punho pra cara dele*
Ele fica com a maior cara de cu do mundo. Em toda a minha vida e em grande parte da minha infância visitando site de sacanagem, nunca tinha visto um cu com mais pinta de cu do que a cara daquele garoto. Não me lembro se os comparsas dele voltaram a uivar, mas como eu já tava quase socando a 1a coisa que me aparecesse em frente (e deus me perdoe se uma velhinha paraplégica tivesse passado na minha frente) falei que ali só tinha um bando de filhinhos de papai que ficam com medo de um grunge viado (eu adotei a alcunha).
Me virei e fui embora, e depois de andar metade da passarela, eles me fizeram sofrer a maior humilhação da minha vida... Todos eles se reuniram, e com a coordenação de uma torcida de gincana de 3a série, entoaram o cântico que me deixou sem dormir por dias: gaay! gaay!
EUAHEUAHEUHEAUEHAUEHAUEHAUEHAUEHAUEHAUEHAUEAHEUAE
Como eu estava acabado e tinha perdido as esperanças em bater em algum nazista wannabe, falei que viessem pra cima de mim.
E mais uma vez, num ato de estrema bravura, vieram todos os 47 playboyssons pra cima da gente, e foi nessa hora que eu agradeci não estar chapado e poder pensar em como me livrar dessa. Essa frase virou símbolo da noite de 3 de dezembro: *olha pro almir e aponta pros playbas* "MANDA DOIS! SÓ DOIS!"
(note o "2" com os dedos)
Mas tudo correu bem, e nenhum deles teve peito pra vir sozinho reclamar alguma coisa comigo. Eu e o Almir fomos embora, e dessa vez sem levar vaias ou cânticos pejorativos.
Pandora 15:41
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Gallo
Cansado, egoísta, projeto de sociopata.
ama suas amigas e sua liberdade.
"Sem paixão não se faz revolução!" =~
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